Os policiais militares presos durante a Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), foram transferidos para o Presídio Militar Estadual (PME), em Campo Grande. A medida foi publicada na edição desta sexta-feira (29) do Diário Oficial do Estado (DOE).
Entre os militares transferidos estão o 2º sargento Marcos Augusto Barbosa e os cabos Thiego Rodrigues Vianna e Hudson Luiz Garajo Ferreira. Os três integravam a 13ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), sediada em Ribas do Rio Pardo.
De acordo com a publicação oficial, a transferência ocorreu por “inconveniência da permanência na Organização Policial Militar (OPM)”, enquanto seguem as investigações sobre o envolvimento dos agentes em um esquema criminoso que teria atuado dentro da corporação.
Operação investiga parceria entre policiais e traficantes
A Operação Janus foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e tem como foco desarticular uma organização criminosa formada por policiais militares que atuavam em Ribas do Rio Pardo.
Segundo o MPMS, as investigações tiveram início nos primeiros meses de 2025, após denúncias encaminhadas à Promotoria de Justiça apontarem que integrantes da corporação teriam se associado a traficantes locais para explorar o comércio ilegal de drogas.
O trabalho investigativo durou cerca de 14 meses e revelou que os policiais investigados não apenas protegiam traficantes parceiros, mas também permitiam a livre comercialização de entorpecentes na cidade.
Desvio de drogas apreendidas e uso da força contra rivais
Conforme apurado pelo Ministério Público, os agentes públicos também teriam fornecido drogas para serem revendidas por criminosos ligados ao grupo, recebendo parte dos lucros obtidos com a atividade ilícita.
As investigações apontam ainda que parte dos entorpecentes comercializados era desviada de apreensões realizadas pela própria Polícia Militar, inclusive em operações originadas por informações repassadas pelos traficantes que mantinham parceria com os policiais.
O relatório também descreve que os militares utilizavam a estrutura e o poder conferidos pelo cargo para favorecer integrantes da organização criminosa e agir contra rivais dos traficantes.
Agiotagem e cobranças mediante ameaça
Além do envolvimento com o tráfico de drogas, alguns dos policiais investigados são suspeitos de atuar em esquemas de agiotagem e cobrança de dívidas.
Segundo o MPMS, eles eram contratados para intimidar devedores e realizar cobranças mediante ameaças, utilizando a condição de agentes da segurança pública para pressionar as vítimas.
A Operação Janus foi desencadeada em meio ao crescimento acelerado de Ribas do Rio Pardo, município que passou por forte expansão populacional após a instalação da fábrica de celulose da Suzano, inaugurada em julho de 2024.




