O coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), Ed Carlo Britto Burgatt, foi preso na manhã desta terça-feira durante a Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A ação faz parte de uma investigação que apura um suposto esquema criminoso envolvendo contratos públicos que teriam movimentado mais de R$ 27 milhões.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, equipes do Gaeco cumpriram o mandado de prisão na residência de Ed Carlo, localizada no Jardim Panamá, em Campo Grande. Os agentes também estiveram no Complexo Regulador Estadual (Core), na Avenida Afonso Pena, região central da Capital, onde foram realizadas diligências.
Regulação da saúde entra na investigação
O Core é o órgão da Secretaria de Estado de Saúde responsável por organizar o acesso de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) a serviços como leitos hospitalares, consultas especializadas, exames e cirurgias em Mato Grosso do Sul.
É por meio da Central de Regulação que hospitais, unidades de saúde e municípios solicitam vagas e encaminhamentos para atendimento na rede estadual, conforme critérios técnicos, disponibilidade e prioridade clínica de cada paciente.
Além de administrar o fluxo de internações, consultas e exames, o sistema também atua na regulação de urgência e emergência, coordenando a transferência de pacientes para unidades hospitalares com estrutura adequada.
Embora a Operação Gutenberg tenha como foco principal suspeitas de fraude em contratos para aquisição de livros paradidáticos, o Ministério Público também investiga se servidores com influência sobre a regulação da saúde teriam utilizado o acesso a exames, cirurgias e vagas hospitalares como instrumento para beneficiar ou pressionar municípios envolvidos no esquema.
Esquema milionário
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as investigações apontam para a atuação de uma organização criminosa formada por empresários e agentes públicos. O grupo é suspeito de direcionar contratos firmados por inexigibilidade de licitação, além de utilizar empresas e pessoas interpostas para ocultar a origem dos recursos obtidos de forma ilícita.
A investigação estima que o esquema tenha movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos relacionados à venda de livros utilizados como material de apoio pedagógico em municípios do Estado.
Ao todo, a Operação Gutenberg cumpre 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho, além de diligências em São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Outros investigados
Entre os alvos da operação estão o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos, e a empresária Olívia Jafar, proprietária de uma clínica localizada no Jardim dos Estados, em Campo Grande.
As investigações prosseguem para esclarecer a participação de cada um dos envolvidos e identificar a extensão do suposto esquema criminoso.
Até a publicação desta reportagem, a defesa dos investigados não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamentos.




