A região localizada às margens da Avenida Presidente Ernesto Geisel, entre a Vila Marcos Roberto e o Jardim Nhanhá, tem se consolidado como um dos principais pontos de concentração de usuários de drogas e pessoas em situação de rua em Campo Grande. Nas ruas Bom Sucesso, Sol Nascente e do Himalaia, o cenário de consumo e comercialização de entorpecentes em plena luz do dia preocupa moradores, comerciantes e quem precisa passar diariamente pelo local.
Durante visita da reportagem, foi possível observar uma intensa circulação de usuários de drogas, além de pessoas em situação de rua ocupando calçadas, terrenos e áreas próximas à avenida. A movimentação ocorre sem qualquer discrição, inclusive com jovens que aparentavam ser menores de idade consumindo ou adquirindo entorpecentes.
Comerciantes convivem com medo e insegurança
A Rua Bom Sucesso, considerada pelos moradores o principal ponto de venda de drogas da região, concentra boa parte dessa movimentação. O fluxo constante de usuários tem provocado sensação de insegurança para quem trabalha ou reside nas proximidades.
A empresária Renata Costa, de 36 anos, mantém há cinco anos uma assistência técnica de aparelhos eletrônicos na esquina da Avenida Ernesto Geisel com a Rua Jaciro de Souza Silva. Segundo ela, a situação se agravou nos últimos anos.
“É complicado porque a gente sabe que existem vários tipos de serviços de apoio para tirar as pessoas da rua, mas também existe uma falta de vontade deles. Como a assistência social às vezes libera para eles um cobertor ou alimento, eles ficam por aqui porque sabem que alguém vai oferecer alguma coisa”, afirmou.
Apesar de nunca ter sido vítima de um crime no estabelecimento, Renata diz que a presença constante de usuários de drogas gera medo entre comerciantes e clientes.
Ela também avalia que a obra de revitalização da Avenida Ernesto Geisel não resolveu o problema, apenas deslocou parte da população em situação de rua para outros pontos da região.
“A gente passa aqui à noite e o pessoal está na frente da loja usando droga. Está cada vez pior a quantidade de moradores de rua e andarilhos. Os comerciantes chamam a polícia, eles são retirados, mas, quando a viatura vai embora, voltam rindo da cara dos empresários”, relatou.
Obra milionária ainda não trouxe mudanças
As intervenções na Avenida Ernesto Geisel tiveram início em setembro de 2024, com investimento de R$ 20,9 milhões provenientes do Governo de Mato Grosso do Sul, do Governo Federal, por meio do Novo PAC, e da Prefeitura de Campo Grande.
A obra contempla o trecho entre a Avenida Manoel da Costa Lima e a Rua Santa Adélia, incluindo a construção de um gabião para contenção das margens do córrego.
Em julho do ano passado, a prefeita Adriane Lopes informou que aproximadamente 65% dos serviços estavam concluídos e que a entrega ocorreria em fevereiro deste ano. No entanto, meses depois, a revitalização segue em andamento.
Durante os trabalhos, barracos instalados às margens do córrego vêm sendo removidos para permitir a continuidade da obra. Segundo moradores, muitas dessas pessoas passaram a ocupar outras áreas próximas, ampliando a circulação de usuários e a movimentação do tráfico em bairros vizinhos.
Antiga rodoviária enfrenta cenário semelhante
Outro ponto crítico da Capital continua sendo o entorno do Terminal Heitor Eduardo Laburu, a antiga rodoviária de Campo Grande.
A reforma do prédio, anunciada há três anos como uma solução para revitalizar a região, sofreu sucessivos adiamentos. O prazo mais recente previa conclusão em junho deste ano, mas a obra ainda não foi entregue.
Enquanto isso, o entorno permanece ocupado por pessoas em situação de rua e usuários de drogas, principalmente nas imediações da Rua Joaquim Nabuco.
Há cerca de um mês, a região voltou a chamar atenção após cinco homens serem vítimas de um assalto. Segundo o boletim de ocorrência, dois criminosos atacaram o grupo e, durante a tentativa de reação das vítimas, utilizaram pedras para agredi-las.
Três homens sofreram graves ferimentos na cabeça e precisaram ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI) da Santa Casa. Os suspeitos fugiram levando três aparelhos celulares.
Moradores cobram ações permanentes
Para quem vive ou trabalha nessas regiões, operações policiais e ações pontuais não têm sido suficientes para conter o avanço da criminalidade e da degradação urbana.
A principal reivindicação é por medidas integradas envolvendo segurança pública, assistência social, tratamento para dependentes químicos e fiscalização permanente, evitando que o problema apenas seja transferido de um bairro para outro sem uma solução definitiva.




