Documentos de apuração obtidos pela reportagem levantam suspeitas sobre a destinação de recursos públicos utilizados pelo deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) para divulgação de atividade parlamentar. As informações apontam possíveis indícios de superfaturamento, favorecimento de fornecedores e até relações empresariais que mereceriam investigação por órgãos de controle.
Somente em contratos analisados entre 2023 e 2026, os valores questionados ultrapassam R$ 328 mil.
Um dos casos envolve a contratação da empresa Adriana Tenório Sehnem, sediada em Maceió (AL), que recebeu R$ 105 mil para a impressão de 6 mil unidades de material gráfico. Segundo os levantamentos, o custo médio de mercado para um serviço semelhante seria de aproximadamente R$ 4,8 mil, o que representaria uma diferença superior a R$ 100 mil. Os documentos estimam uma sobrevalorização acima de 2.000%.
Além do valor considerado fora dos padrões de mercado, chama atenção a escolha de uma empresa localizada a mais de 2 mil quilômetros da base eleitoral do parlamentar, sem aparente vantagem econômica que justificasse a contratação.
Outro ponto destacado na apuração é que o e-mail cadastrado pela empresa contratada estaria vinculado a uma agência de comunicação, enquanto o telefone registrado utiliza DDD de Mato Grosso do Sul, mesmo a empresa estando oficialmente sediada em Alagoas.
Empresas no mesmo endereço e contratos milionários
Uma segunda análise aponta gastos de R$ 193,5 mil da Cota para Divulgação de Atividade Parlamentar com duas empresas distintas.
Segundo os documentos, os fornecedores Ricardo de Souza Kramer e Giovana dos Santos Burnier teriam recebido pagamentos para produção de folders e materiais gráficos por valores significativamente superiores aos praticados no mercado.
A apuração sustenta que 25 mil folders teriam custado R$ 85,1 mil aos cofres públicos, enquanto o preço estimado para o mesmo serviço seria de cerca de R$ 19,6 mil. A diferença calculada ultrapassa R$ 65 mil.
O que mais chamou atenção dos autores do levantamento foi o fato de as duas empresas funcionarem no mesmo endereço.
Os documentos apontam ainda que notas fiscais emitidas por uma das empresas utilizariam o e-mail de uma terceira pessoa jurídica, a Bertho Brasil, que também estaria registrada no mesmo local.
Para os responsáveis pela apuração, a coincidência de endereço, a troca de fornecedores e a utilização compartilhada de contatos comerciais podem indicar uma estrutura empresarial interligada para receber recursos provenientes da verba parlamentar.
Proarmas e suposto benefício a empresas da família
A terceira frente de questionamentos envolve o movimento Proarmas, criado por Pollon e conhecido nacionalmente pela defesa do armamento civil.
Segundo os documentos, apoiadores que aderiam aos planos pagos oferecidos no site acreditavam estar contribuindo diretamente para a causa armamentista. No entanto, as notas fiscais seriam emitidas por uma empresa privada da qual o próprio parlamentar figura como sócio-administrador.
A apuração também afirma que o domínio do site estaria registrado em nome de uma holding familiar composta por Pollon, sua esposa e os filhos do casal.
Outro detalhe citado é que a administração da holding estaria vinculada a uma pessoa que exerceu função no gabinete parlamentar do deputado na Câmara Federal.
Questionamentos
Embora os documentos apresentem uma série de apontamentos, não há informação de condenação judicial ou decisão definitiva sobre os fatos narrados.
Os casos, entretanto, levantam questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos, os critérios utilizados na escolha dos fornecedores e a eventual existência de relações empresariais que possam ter beneficiado pessoas ligadas ao entorno político do parlamentar.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação do deputado Marcos Pollon e das empresas mencionadas.




