A designer de sobrancelhas Bruna Paola Martins de Freitas, de 33 anos, presa nesta sexta-feira (29) em Campo Grande durante a Operação Contenção, teria trocado de aparelho celular um dia antes do cumprimento dos mandados judiciais expedidos pela Justiça do Rio de Janeiro.
Segundo informações da investigação, Bruna é o único alvo da operação em Mato Grosso do Sul. Ela foi localizada e presa por equipes da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) no bairro Moreninha IV.
Conforme apurado, as contas bancárias da investigada foram bloqueadas na quinta-feira (28). Após perceber a movimentação judicial, ela teria substituído o aparelho celular que utilizava. Durante o cumprimento dos mandados, os policiais encontraram um telefone novo, que foi apreendido. O aparelho antigo ainda não foi localizado.
Defesa nega ligação com facção
Ao contestar a prisão, o advogado Rodrigo Martins afirmou que a acusação contra Bruna é baseada em uma única movimentação financeira realizada em 2022 e que não há elementos que comprovem vínculo com o Comando Vermelho.
Segundo a defesa, a designer apareceu na investigação após relatórios de inteligência financeira identificarem uma transferência de R$ 30 mil feita por um homem apontado como integrante da organização criminosa no Rio de Janeiro.
“O processo não apresenta conversas, contatos ou qualquer outro elemento que demonstre ligação dela com a facção. Existe apenas uma transferência financeira realizada há quatro anos”, argumentou o advogado.
Ainda conforme a defesa, Bruna atua na compra e venda de veículos e a movimentação poderia estar relacionada a uma negociação comercial legítima.
Esquema movimentou R$ 453 milhões
De acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a Operação Contenção desarticulou uma estrutura financeira utilizada pelo Comando Vermelho para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas, roubos e receptação de cabos de cobre.
A investigação aponta que o grupo movimentou aproximadamente R$ 453 milhões em apenas 16 meses, utilizando empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e laranjas espalhados por diversos estados brasileiros.
Entre os principais alvos está Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado como uma das lideranças da facção no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ). Segundo a polícia, ele determinava o destino dos recursos ilícitos, que eram usados para aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias, criptomoedas, armamentos e carregamentos de drogas.
Outro investigado é Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como “Tek”, apontado como responsável pela estrutura financeira responsável por ocultar a origem do dinheiro.
Empresas de reciclagem eram usadas para ocultar recursos
As investigações revelaram que parte do dinheiro era “lavada” por meio de empresas de reciclagem e comércio de metais, que simulavam operações comerciais e emitiam notas fiscais frias para justificar movimentações milionárias.
Após passar por esse processo, os recursos eram redistribuídos para integrantes da facção e utilizados para financiar novas atividades criminosas.
A operação cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Maranhão. Até o momento, 17 pessoas foram presas.
Viúva de acusado de assalto milionário
Bruna Paola também é viúva de Elias da Silva Maldonado, apontado pela polícia como líder de um grupo responsável por um assalto que resultou no roubo de R$ 180 mil em joias, ocorrido em Campo Grande em 2014.
Elias foi executado com tiros na cabeça em julho de 2024, em frente à residência onde vivia com a esposa.




