Em meio ao discurso recorrente de moralização da política e valorização da meritocracia, uma nomeação no Senado Federal volta a colocar em evidência um nome conhecido dos sul-mato-grossenses.
Camila Alves de Freitas Camargo, esposa do ex-prefeito de Rio Negro (MS), Solanir Alves de Oliveira, ocupa atualmente um cargo comissionado no gabinete do senador Nelsinho Trad (PSD-MS). A informação consta no Portal da Transparência do Senado Federal.
O nome de Camila, entretanto, já havia sido alvo de forte repercussão em 2020, quando apareceu entre os beneficiários do auxílio emergencial pago pelo Governo Federal durante a pandemia da Covid-19.
Na época, a divulgação gerou críticas e debates nas redes sociais por ela ser esposa de um prefeito em exercício. Em resposta, Camila afirmou que preenchia os requisitos para receber o benefício e chegou a registrar boletim de ocorrência após relatar ataques e ofensas decorrentes da exposição de seu nome. Não há registro público de decisão que tenha apontado irregularidade na concessão do auxílio em seu caso.

Agora, o destino é Brasília
Cinco anos depois, Camila integra a estrutura do Senado como Ajudante Parlamentar Júnior, cargo de livre nomeação.
Dados da transparência mostram que ela foi admitida em 2025 e permanece em atividade.
Na folha de junho de 2026, recebeu:
- remuneração básica de R$ 3.246,39;
- salário líquido de R$ 2.968,22;
- auxílio-alimentação de R$ 1.833,54.
Os registros não indicam pagamento de gratificações, horas extras ou outras vantagens extraordinárias.
Nomeação reacende debate sobre critérios políticos
Embora cargos comissionados sejam legalmente destinados à livre escolha de parlamentares, a nomeação reacende um debate recorrente em Brasília: quais critérios efetivamente pesam na escolha de assessores pagos com recursos públicos?
A legislação não exige concurso público para essas funções, mas a sociedade costuma cobrar que as indicações observem qualificação técnica e capacidade para o exercício das atividades.
No caso de Camila, o Portal da Transparência informa apenas o cargo e a remuneração. Não detalha sua formação, experiência profissional ou as atribuições desempenhadas no gabinete.
Da polêmica local à estrutura do Senado
O caso também chama atenção pela trajetória pública da assessora.
Em 2020, seu nome foi associado a uma das maiores polêmicas da pandemia: a divulgação de beneficiários do auxílio emergencial com vínculos familiares com agentes políticos. Na ocasião, Camila sustentou que tinha direito ao benefício e negou qualquer irregularidade.
Agora, reaparece em outro contexto: ocupando um cargo de confiança em um dos gabinetes mais influentes da bancada de Mato Grosso do Sul no Senado.
Essa sequência de fatos, embora não configure por si só qualquer ilegalidade, alimenta questionamentos sobre a forma como cargos de confiança são distribuídos e sobre a influência de relações políticas na ocupação dessas funções.




