Uma influenciadora digital foi presa na manhã desta segunda-feira (4), em Campo Grande, após ser flagrada vendendo produtos veterinários como se fossem cosméticos para uso humano.
Identificada como Raylane Ferrari, a mulher soma mais de 500 mil seguidores nas redes sociais e divulgava uma fórmula chamada “Good Horse”, prometendo crescimento capilar acelerado.
A ação foi realizada por equipes da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo, Procon, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul, em um pet shop localizado no Bairro Universitário.
🧪 Mistura irregular e risco à saúde
Segundo as investigações, a influenciadora misturava shampoo veterinário com vitamina A injetável — além de outros produtos destinados a cavalos — e vendia o resultado como tratamento capilar para mulheres.
Os produtos eram comercializados online com preços que chegavam a:
- R$ 130 (tônico capilar)
- R$ 80 (óleo)
- R$ 140 (cápsulas)
Durante a fiscalização, foi constatado que toda a manipulação era feita no próprio local, sem autorização sanitária ou qualquer controle técnico.
Além disso, os produtos não possuíam registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o que já configura irregularidade. Outro ponto crítico é o uso da vitamina A injetável, que não é indicada para aplicação tópica em humanos e pode causar danos à saúde.
📱 Promessas e engajamento nas redes
Nas redes sociais, Raylane exibia o próprio cabelo como “prova” da eficácia do produto e fazia afirmações diretas ao público:
“Quem falou que não pode?”
“Se você quer um cabelão assim, tem de usar”
Os vídeos acumulavam alto engajamento, com publicações que ultrapassavam 200 mil curtidas e centenas de comentários de seguidoras interessadas na compra.
Ela também afirmava ser veterinária e demonstrava o preparo da fórmula, incluindo a adição de novos produtos veterinários à mistura.
⚖️ Possíveis crimes
De acordo com os órgãos envolvidos, o caso vai além de propaganda enganosa. A prática pode configurar:
- Infração sanitária
- Venda de produto sem autorização
- Exercício irregular de profissão
- Crime contra as relações de consumo
Os materiais foram apreendidos e encaminhados para análise. Raylane foi levada à delegacia, onde o caso segue sob investigação.




